sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Me sinto um tanto confusa e perdida dentro de mim.
Como se eu fosse um imenso território vazio...
Bate aquela tristeza, aquela saudade...
Lembro da felicidade como se fosse em vidas passadas, em algum lugar e tempo bem distante.
Tem dias que me desconheço totalmente, a cada dia pareço uma pessoa diferente.
Fico confusa em meio a tantos conflitos.
Por causa desses meus humores distintos acabo me perdendo de mim a cada fim do dia...
Então rasga-se o véu e me encontro assim: tão eu!
A mesma tristeza, a mesma solidão, a mesma saudade e lembranças sem fim...
Vivo presa em meu interior, nesse imenso território vazio, onde não há mais espaço pra mim...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Destino


Fico em silêncio quando as opiniões vão de encontro às minhas,
Tenho o hábito de não rejeitar aquilo em que acredito, me mantenho fiel a mim,
Firme em minhas convicções,estreita nas direções…
Acompanho os instintos…
Um dia ouvi uma frase de uma pessoa muito querida, que me doeu na alma: “Ninguém é de ninguém.”
Quase sempre é necessário que alguém nos abane e diga as coisas ao ouvido para as escutarmos, refletirmos, acordarmos para as mensagens da vida,  por mais que doa.
Só aí foi que vi a verdade desta afirmação,
O sentimento de posse, se nos acompanha, só atrapalha…
Tudo acontece por si…
Não é preciso influenciarmos as decisões,
Nem apaziguarmos rancores,
Basta viver…
Para perceber que o sabor das palavras, das pessoas,dos sentimentos, da vida, se resumem em uma única palavra: DESTINO…

domingo, 31 de outubro de 2010

Quando alguém vai embora

Quando alguém vai embora, para nunca mais voltar, a alma leva um grande choque, por mais q a cabeça entenda q absolutamente tudo nessa vida é provisório e passageiro, q os caminhos se cruzam e descruzam , e q certas coisas são inevitáveis.
Então, a alma se veste de negro, recolhendo-se, e ficando vazia e triste.
Às vezes, os olhos, as mãos, a boca vazam essa tristeza; outras vezes, não há ânimo nem para isso.
E assim, vestida de negro, a alma contempla a vida, esperando a hora de voltar a sorrir, ainda q o sorriso tenha um traço leve de tristeza - o traço deixado pelo alguém q foi embora.

Quando alguém vai embora, o tempo castiga quem ficou.
O dia tem mais horas, os minutos mais segundos, e tudo é mais demorado e difícil.
E, nessas horas, chega-se a ter certeza q jamais poderá seguir em frente com a falta tamanha q aquele alguém q foi embora faz.
Mas a vida segue, e quem ficou segue com ela.

Quando alguém vai embora, quase sempre vem um arrependimento, e a sensação estranha de q não há mais chances.
Fica-se pensando na conversa importante q não houve, no carinho q se deixou pra depois, nos erros q foram cometidos, no desabafo q não foi externado no amor que ficou pra ser sentido, no tempo q era pra ser vivido juntos e cheio de tantas coisas, e agora tem q ser passado em solidão.
E tudo isso vai formando um nó q tampa a garganta, interrompe a respiração durante o sono, não te deixa comer e provoca uma sensação de abandono q só poderia ser deixada por aquele alguém q foi embora, porque cada história é única.

Quando alguém vai embora, quem ficou percebe coisas q antes não eram percebidas, e quanto mais o tempo passa, mais se percebe.
Começa a fazer falta aquele olhar de carinho ou reprovação, aquela voz invadindo a casa, aquele jeito de falar e abraçar; e no começo dá a impressão de q tudo isso ficará perdido em algum lugar inatingível.
As datas especiais ficam doloridas.

Quando alguém vai embora, as dúvidas começam a rondar a cabeça, e a fé sofre um abatimento.
Percebe-se q o mais forte dos homens,  o mais saudável ser, um dia, sucumbe.
Percebe-se q a existência é frágil.
Duvida-se da vida, da morte, das pessoas, do amor.
Assim como vem, as dúvidas vão e voltam sem resposta, porque não há respostas.
E tudo isso pode virar amadurecimento ou amargura, dependendo de como quem fica quer aproveitar a experiência de perder o alguém q foi embora.

A verdade é q o mundo todo acaba quando alguém vai embora.
E não dá a menor vontade de reconstruir nada. Nada.

Quando alguém vai embora, normalmente, se tem o carinho dos outros q ficam, e, passando pela mesma dor ou não, se preocupam em ser um consolo.
E os abraços, os carinhos, as palavras, as lágrimas solidárias, o calor da alma dessas pessoas vai começando a esquentar a alma fria de quem ficou, a fazer efeito e recuperar o coração quebrado.
E é nessas horas q se percebe o valor q tem dividir a vida com muitas pessoas em todos os momentos, porque são elas, e não o alguém q foi embora, q vão ajudando a levantar e olhar pra frente.

Quando alguém vai embora, quem ficou começa a trilhar uma estrada longa, q tem um nome melancólico - saudade.
Essa estrada, a princípio, é enlameada, escorregadia, escura, esburacada; e muitas vezes faz cair, machucar, e quase desistir de andar.
A dor é tão profunda, e parece estar enraizada em um lugar tão inacessível, q parece que nunca vai sarar. Mas ela sara.
Aos poucos, ela sara. E aí chega a hora de deixar o tempo fazer seu trabalho.

Chega a hora de sorrir de novo.
De deixar as lembranças serem somente lembranças.
De tirar o manto negro da alma.
E, de repente, a estrada, apesar de a cada dia ter mais uns passos de distância, vai se tornando cada vez mais leve, mais iluminada, bonita até.
E quem ficou percebe, na verdade, aquele alguém pode até ter ido embora, mas nunca deixou de existir, e isso é uma forma de vida.
A mesma vida q segue por tantas outras estradas q vão se cruzando,descruzando, e nunca voltam.
E percebe-se q só se tem a agradecer a oportunidade de ter estado com aquele alguém q foi embora, mas sempre estará presente, de alguma forma.
 E então vem aquela paz q só o amor de verdade pode dar.

Homenagem especial pra meu vô ( Vicente) e minha vó (Belinha) e tbm para todos os que já foram embora...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010



Nem todos os meus textos são sobres as coisas que eu estou passando no momento, muitas vezes são coisas que eu já vivi, e que ficaram guardadas por algum tempo, e eu precisei colocar para fora, ou somente quis compartilhar com vocês o que se passa no momento.
Não é fácil ter mil coisas a dizer, e ter que escolher o que pode ou não falar, e eu sou assim, tenho que selecionar tudo o que vou dizer, avaliar com cuidado quem vai ler, para saber o que falar, e isso é muito ruim.
Tenho mil coisas engasgadas que ficam perdidas em um arquivo qualquer no meu pc, sem poder mostrar para ninguém, não posso mostrar agora, mesmo sabendo que isso iria aliviar minha alma de alguma forma.
Isso também é uma forma de desabafo, tudo o que eu posto aqui de uma certa forma é.
Eu tenho muitas coisas a dizer, muitas opniões a dar, e um dia, mesmo que demore um pouco, eu vou esvaziar mil coisas que preciso dizer, mas acho que agora não é o momento certo.

domingo, 3 de outubro de 2010

Tenho ciúmes de você!


Certas coisas a gente só consegue sentir, e observar que está sentindo depois que toma conhecimento racional a respeito delas.
Antes de entender racionalmente que eu sentia ciúmes, eu era incapaz de ligar meu mal estar, minha raiva à atitude de uma pessoa, ou mesmo a uma pessoa.
Ficava irritada, de mau humor, chata e cobrava muito mais que o normal.
Mas era impossível de resolver o problema, pois eu não sabia ligar a causa à consequência.
Hoje, já ciente que eu sinto ciúmes sim! E muito. Posso escolher como reagir a ele.
Posso observá-lo dentro de mim, dando ordens de comando e remexendo tudo por dentro.
Posso senti-lo inteiro, manifestando em meu corpo, e em meus pensamentos.
O interessante é observar.
Neste momento já consigo me olhar de fora, como o observador distante, mas ao mesmo tempo presente.
E é impossível não rir de mim mesmo, ao me observar irritada, com raiva, dando chiliques…
Ao ler, ou escutar algo eu vou até a cena. Me vejo lá, observo tudo, estou em um canto, de braços cruzados, ou sentada, não muito próxima, mas presente o suficiente.  
O semblante passa tranquilidade, e quase um sorriso, mas na verdade destilo veneno através dos olhos. Vejo contato, risos, abraços, envolvimento, odeio o que vejo.
Eles riem juntos, trocam informações e a conversa rola solta.
E eu vejo, de fora, eu não participo. E mesmo que depois seja convidada, já não me interesso naquela diversão. A noite já perdeu a graça, já fui excluída...
Meu intelecto, meu racional, pensa: “Nossa, que legal isso, fico feliz por ele. ” “Não, eu não sinto ciúmes, quero mais que ele esteja feliz.” “Que bom que ele está feliz, que tem com quem conversar,e que está vivendo coisas legais com suas amigas” HAHAHAHAHAHAHAH
Quanta mentira!!! Muita mentira mesmo.
Da pior espécie possível, a que engana a si mesmo.
O que sinto na verdade é:  “Ele está se divertindo com as amigas, não acredito que ele se diverte sem mim” “Putz, quem será ela ?” “Que ódio. Eu que queria estar ali.”
Sério mesmo. É isso que eu sinto.
Mas graças ao meu bom Deus eu consigo não me mover guiada por estes pensamentos.
Ainda não consigo deixar de tê-los. Mas escolho não manifestar todo este orgulho, egoísmo e ódio contra a pessoa, tanto a que eu gosto, quanto a que passei a odiar instantaneamente.
Outra coisa a ser observada, como bem fala um amigo meu em seu blog, é a reação do corpo.
Sim! Ele reage sozinho. Mesmo que eu não queira escutar a voz maléfica que sussurra no meu ouvido, tentando me guiar, meu corpo escuta e me diz o quanto aquela situação me incomoda.
No caso do ciúme, posso sentir meu corpo se contraindo, sim, ele se fecha, se dobra, pra dentro, remoendo seu próprio veneno. O coração dispara, mas pesado. A respiração fica curta, quase falha, o rosto se fecha, o semblante fica carregado.
Me incomoda engolir, e minha boca seca, os lábios se contraem e ficam enrugados. Assim, como o coração. Preso, oprimido, em meio a tanta dor, e medo.
Neste momento, pra mim, assumir o sentimento negativo é o melhor. E eu quase grito. “SIM EU TENHO CIÚMES DE VOCÊ!” “EU QUERO VOCÊ SÓ PRA MIM”.
E depois de assumir, este orgulho e egoísmo, posso me sentir novamente onde estou. Aqui e agora, eu não estou mais presente na cena. Não estou encolhida mais. Estou em pé, inteira, aqui.
Ao me sentir presente, no momento, posso rir, me envolver, me sentir. Ao abrir meu peito novamente, pode ser que force por dentro, e abra um pequeno machucado. Mas ele é meu, é vivo, e eu posso senti-lo. Me livro do peso e mesmo com pequena dor, estou presente, e livre. 
Sinto que a pessoa não é minha. Ela não precisa estar comigo, e sim ele é lindo mesmo assim, e continuo o amando.
Ao livrá-lo de  mim, eu me livro dele também.  
E me livro de mim mesma.
Ele não precisa estar comigo. E eu não preciso estar com ele.
Eu pisco os olhos, sorrio e sinto quantas coisas existem lá fora.
O quanto vale a pena gostar, e sentir isso tudo. E como é bom escolher gostar de alguém.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A vida...

Sempre fui uma pessoa muito carente.
Tive que amadurecer rapidamente, aos oito anos de idade eu já era mais adulta que muito adulto por ai.
Sempre me virei sozinha, sempre tive que correr atrás do que queria, mas o meu sentimental sempre foi fraco, sempre se manteve ferido.
A vida me apresentou muitas pessoas, muitas delas se foram, e muitas permanecem até hoje.
Ela me concedeu uma nova família, e muito linda por sinal.
Já me deu as costas e me deixou sozinha , mas ela sempre olhou pra trás e procurou saber se eu estava bem.
A vida sempre me cobrou um preço alto pela minha própria felicidade, mas quando eu conseguia finalmente pagar esse preço, ela deixava que eu ficasse feliz por apenas algumas horas, minutos, segundos...
A vida me deu uma vida um pouco diferente das vidas que se vêem por ai.
Nunca tive nada na mão, nunca tive regalias, não que esteja reclamando disso, pois foi assim que aprendi a ser a pessoa que eu sou hoje, uma pessoa mais justa, mais forte e que não se abala na frente das pessoas, mas muitas vezes essa pessoa que deixo transparecer dorme todas as noites, deixando cair lágrimas dos olhos...

sábado, 28 de agosto de 2010

Feliz solidão

Gosto dos meus momentos de solidão, de acender velas, de ficar ouvindo música ,de ler, de cuidar do meu cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá, curtir minha casa.
Sozinha.
As vezes gosto de paz, de silêncio.
Muitas amigas não entendem esse meu jeito de ser, quando recuso um passeio e digo que vou ficar sozinha em casa, me dizem que isso é sintoma de falta de amor.
Eu sou assim , em meu interior existe uma grande riqueza de vida, a capacidade de estar só e de me distrair comigo mesma revela alguma densidade interior,  cultivo uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos simplesmente desconhecem.
A maioria das pessoas parecem permanentemente voltada para fora.
Despejam seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta.
Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.
É preciso parar de pensar  que atrás de toda solidão  há desespero.
Que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia.
Pode haver escolha.
Ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa, desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos, o que nem sempre é fácil.

Eu adoro quando chove, quando eu sinto que ajudei quem merece, quando eu fico sozinha.
Quando lembro do que eu achei que tinha esquecido pra sempre, quando  acordo e percebo que tenho mais uma hora pra dormir, quando eu vejo que valeu apena, quando me identifico, quando passa, quando começa, quando chega, quando alivia... adoro.
Adoro quando eu entendo, quando não procuro entender.
Quando eu to longe e mais ainda quando estou perto.
Adoro quando aprendo com pessoinhas de 4 anos de idade, ou de 98 anos.
Adoro quando tudo gira, quando para tudo.
Adoro quando chega o dia,  chega a hora.
Quando da frio na barriga.
Adoro saber que estar comigo mesma já é não estar sozinha.

sábado, 14 de agosto de 2010


Encontrei mais do que um homem que conquistou a minha vida e todo o meu ser eu encontrei o amor, o verdadeiro e puro AMOR.
Cada vez que estou contigo o meu ser é transportado para o mundo da fantasia onde tudo é magia…
Vc me faz viver noutra época, num lugar onde só o nosso amor existe e é a força poderosa que o faz girar…
Mesmo quando estamos distantes nos encontramos em nossos sonhos, e somos inseparáveis, como a noite e a lua.
Quando chega a noite adormecemos abraçados a contar as estrelas, elas são as velas que iluminam o luar que a noite nos ofereceu de presente.

A madrugada quer voar e com ela levar a nossa alvorada.
Nasce o sol e a sua luz desperta-nos da doce imaginação inconsciente.
Ergue-se o dia,
Deita-se noite.
Vejo o teu rosto, sinto o teu gosto.
Senti com um longo beijo de amor, o primeiro deste dia de alegria.
Vivemos um para o outro envoltos na brisa do mistério secreto que é o amor que nos une, que nos funde…
Partilhamos mais do que tudo, um sentimento que sempre correrá no nosso sangue.
Nos unimos em um só ser, em um sentimento imortal tão grande que nem dentro de nós cabe mais…
Para que sonhar quando a nossa vida já se transformou num eterno sonho?
Amo-te mais do que tudo que pode existir e que poderia amar.
Quando estás longe o meu coração reclama e desespera de saudade.
Sinto saudade do teu lindo sorriso, do teu beijo, do teu cheiro, do teu calor do teu amor…

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia...




A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor.

E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas.

E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo à luz.

E, à medida que se acostuma se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado.

A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo.

A comer sanduíche porque não dá para almoçar.

A sair do trabalho porque já é noite.

A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.

E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.

E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.

E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.

A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita.

E a lutar para ganhar com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.

E a fazer fila para pagar.

E a pagar mais do que as coisas valem.

E, a saber, que cada vez pagará mais.

E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes.

A abrir as revistas e ler artigos.

A ligar a televisão e assistir comerciais.

A ir ao cinema e engolir publicidade.

A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros.

À luz artificial de ligeiro tremor.

Ao choque que os olhos levam à luz natural.

Às bactérias de água potável.

À contaminação da água do mar.

À morte lenta dos rios.

Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando ñ perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.


Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.

Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.

E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele.

Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colassanti

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A voz do silêncio


Fatos e situações levam as pessoas a crerem que a lei do silêncio impera.
"A justiça tarda , mas não falha."
Muitas vezes ouvimos as frases: " Tenho o direito de só falar em juízo"," Só falo diante do meu advogado."
Que mundo , que país, que leis são essas que incetivam o mal?
Que induzem a falta de parâmetro no ser humano?
Não existe crime perfeito, aqui se faz e aqui se paga.
Colhemos exatamento o que plantamos;
Pessoas agem na calada da noite, acreditando na falta de testemunhas, porém elas se esquecem que lá em cima existe um ser supremo, e que seu olhar envolve todo o universo.
Tudo que fizermos contra ou por nosso próximo receberemos em dobro.
Vejamos uns exemplos, com todo respeito e lástima as famílias.
O pai de Eloá tirou várias vidas, destruiu famílias, e o retrato da dor em perder sua filha revelou a verdade escondida há anos. O pai de Eliza Samudio, ao cobrar justiça por sua filha, mostrou sua injustiça cometida.
O goleiro Bruno, ontem com muitos doláres, hoje apenas a dor da vergonha.
Não há no mundo dinheiro que pague a capacidade de andar de cabeça erguida com a certeza de não ter causado sofrimento a alguém.
No caso dele , apenas Deus, os envolvidos e suas consciências sabem a verdade.
Se algum dia eles sentirem a dor da perda, saberão o dano que causaram.
E levarão consigo a certeza de que mesmo o pior canalha tem o direito de receber a misericórdia do perdão.