quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Perdidos


Há um momento na vida em que precisamos pensar
e repensar toda a nossa trajetória até então, onde pegamos todas as angústias,
frustrações, alegrias, crenças, ideais e até mesmos os sentimentos mais obscuros.
Colocamos sobre uma mesa,
olhamos e contemplamos a nós mesmos.
Sobre essa mesa,após despirmos o nosso ser,
há um imenso quebra-cabeça,multicolorido,obscuro,um pouco sem sentido:uma vida pretensamente vista de fora.
É preciso ter força suficiente para pegar cada peça na mão,
dar uma olhada mais profunda: analisar, descartar ou guardar.

Cada peça posta fora é motivo de risada, é passado a ser esquecido,
mesmo reconhecendo que em um determinado momento tenha tido alguma importância.
Nesse sentido, somos tomados por tal força que nenhuma peça é jogada fora por ressentimento,
mas apenas por alegria e reconhecimento de nós mesmos.
Algumas peças não são postas fora, remontamos o quebra cabeça,
e outras peças guardamos no bolso,
reconhecendo que um dia elas terão importância e responderão a algumas lacunas
desse imenso mapa inconcluso em forma de quebra-cabeças chamado vida.
Reiniciamos a aventura, montando peça por peça.
O mapa começa a ter novas cores, novos amores, novos sentidos,
e ainda mais novas angústias.
Um caminho imenso se abre ao olhos,
pássaros cantam de forma tão diferente,
antigas pessoas ganham novas cores,
antigas idéias remontam novos caminhos;
uma constante criação de paisagens é feita,
a mão se faz a própria vida,o seu próprio quebra-cabeça,
e é preciso ter muita serenidade e coragem para isso!
Veremos que além do que se parece um fim,
se abre ainda uma caminho maior,desértico,indescoberto.

Nisso tudo, algumas lacunas vão aparecendo e crescendo ainda mais.
Lembramos então, que havíamos guardado algumas peças no bolso,muitas peças!
Cada lacuna é uma pergunta,e cada peça guardada é uma resposta.
Assim encaixamos ali, cada amigo guardado no bolso de nossas memórias,coisas ditas
que sempre têm o momento certo para serem úteis, fatos..

Novamente, o quebra-cabeça toma outra cor,
outra alegria, mais ainda sim,
a incompletude chama para a andança da vida…

Algumas imensas lacunas se apresentam de maneira tão violenta que um tremor no estômago,
acusa momentos de tribulações,
As peças começam a se encaixar, lembranças de dias que já se foram.
Novos sonhos se perdem, o quebra-cabeça perde as cores,e novamente a inconclusão nos toma de assalto,
nos vemos sozinhos, e perguntamos: “Por quê não me encaixo em nada?
Sou eu também uma peça desse quebra-cabeça?”
Nos vemos assim: sem sentido, totalmente perdidos.
Na linha tênue( adoro essa palavra rsrs) entre a consciência e a falta dela.
Quem disse que sabemos tudo de nós mesmos?
Paramos,percebemos, olhando para trás,
Que o quebra cabeça é como estrada que construímos para a nossa andança,
Que cada vez que encaixamos uma peça no nosso quebra-cabeça,
estamos seguindo em frente, mesmo que arrastando.
Não podemos nos esquecer que uma mesma peça que se encaixava hora de um jeito,
em outra hora pode se encaixar de uma maneira diferente,
mas permaneceria a mesma e ao mesmo tempo diferente.
E assim, totalmente entregues à vida,
um pouco estóico, esperamos um novo momento,
uma nova lacuna, para sacar de nosso bolso uma peça,
e sacar de sua alma nós mesmos.
Cada peça parece se encaixar agora,
Em um movimento constante de junção,
criação e amor: a minha própria vida.

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